A atuação do Judiciário brasileiro, em especial do Supremo Tribunal Federal (STF), tem sido alvo de fortes críticas e debates no cenário político nacional. Embora o STF tenha papel fundamental na manutenção da Constituição e da democracia, uma série de decisões, comportamentos e embates com outros poderes contribuíram para a queda de sua credibilidade perante parte significativa da sociedade.
A seguir, apresento uma análise detalhada das razões que levaram a esse desgaste:
O STF tem sido acusado de adotar uma postura de ativismo judicial, ou seja, de extrapolar suas funções constitucionais e interferir diretamente em decisões que deveriam ser do Legislativo ou do Executivo. Exemplos:
Suspensão de indicações políticas
Decisões sobre regras eleitorais e liberação de candidaturas.
Imposição de normas sobre vacinas, passaporte sanitário e fechamento de igrejas — temas sensíveis, em que setores conservadores viram excesso de poder.
Isso gera a percepção de que ministros decidem segundo convicções pessoais e não com base estritamente na Constituição.
O STF criou e conduziu inquéritos de ofício, como:
Inquérito das Fake News (relator: Alexandre de Moraes).
Inquérito dos atos antidemocráticos e das milícias digitais.
Esses inquéritos são considerados problemáticos por vários juristas porque o STF acumulou as funções de vítima, investigador, acusador e julgador, contrariando o princípio da imparcialidade.
Além disso, o STF autorizou buscas e prisões de influenciadores e políticos críticos à Corte, muitas vezes sem denúncia formal do Ministério Público. Isso levantou críticas por cerceamento da liberdade de expressão.
A politização da Corte é um dos principais pontos de crítica. Exemplos que geraram suspeita de parcialidade:
Anulação das condenações de Lula (Operação Lava Jato) por questões processuais, permitindo sua candidatura em 2022.
Julgamentos que invalidaram sentenças da Lava Jato e decisões de Sérgio Moro.
Alinhamento visível de certos ministros a determinados grupos políticos.
Isso alimentou a percepção de que o STF favorece determinados partidos ou lideranças — especialmente nos embates contra Jair Bolsonaro e a direita.
A atuação midiática de ministros contribuiu para a perda de sobriedade institucional, como:
Participações frequentes na imprensa e redes sociais.
Uso de linguagem política ou provocativa em decisões e votos.
Presença em eventos internacionais e nacionais com forte conotação ideológica.
Ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso e Dias Toffoli se tornaram figuras públicas altamente conhecidas — e também alvos diretos de críticas.
Algumas decisões do STF contrariaram expectativas populares, como:
A liberação de “saídas temporárias” de presos.
A descriminalização do porte de drogas (caso da maconha).
A revogação de prisões em segunda instância (que favoreceu condenados como Lula e outros da Lava Jato).
A derrubada de leis estaduais ou municipais sobre temas morais, como “ideologia de gênero”, religião, aborto ou escolas cívico-militares.
Essas ações ampliaram a percepção de que a Corte está “desconectada” da sociedade, agindo de forma elitista ou contra valores tradicionais.
O STF se envolveu em conflitos institucionais intensos com os outros dois poderes:
Foi protagonista de decisões que enfraqueceram ou barraram ações do Executivo federal durante o governo Bolsonaro.
Interveio em pautas legislativas, como marco temporal indígena, regras eleitorais e reformas tributárias.
Sofreu críticas diretas de parlamentares e até de presidentes da República, algo inédito na Nova República.
Isso alimentou discursos de ruptura institucional e a ideia de que o Judiciário atua como “poder supremo” acima dos demais.
Outra crítica recorrente é que o STF protege políticos influentes, especialmente com decisões que:
Arquivam processos de senadores e deputados.
Prescrevem ou anulam ações penais por questões formais.
Adiam julgamentos indefinidamente.
A população vê isso como um sinal de impunidade seletiva, reforçando o descrédito da Justiça como instrumento de igualdade.
Para reverter esse cenário, seria necessário restabelecer limites claros entre os poderes, reduzir a exposição midiática e reformar o sistema de controle do Judiciário.
Rodrigo Franco